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Modified 28-Jul-17
Created 28-Nov-15
17 photos

abstracção:
…estado em que o espírito considera isoladamente coisas realmente unidas.
In: Grande Dicionário da Língua Portuguesa, Cândido de Figueiredo

"nu|integral" nasce de uma paixão descoberta pelo autor há alguns anos, mas mantida em silêncio. Renasce, agora, em fotografia.

A série pretende incutir uma viagem no observador, levar o seu olhar ao encontro de uma paixão terrena arrebatadora.

Trata-se de uma viagem onde o relacionamento, entre linhas e traços, terão de assentar em sólidas abstrações.

Há um confronto entre o real e o imaginado, adquirindo esta série de fotografias uma dimensão simbólica. Nesta proposta sentir-se-á um misto de dor e êxtase, sendo o nu, a fragrância que manterá o ritmo da entrega.

O "nu|integral" é também o retrato de uma paisagem… a Paisagem na sua essência natural, ainda que já sem vida - uma arriba fóssil.

O local, ainda que estático, tem escarpadas, muito bem talhadas, sendo a sua beleza impressionante. O efeito modelado aliena-nos da abrasão marítima .

Olhar esta paisagem é uma inquietação estética constante.

Ao observar "nu|integral" imaginamos a escorrência das águas que levaram e levam ao efeito erosivo - que promove o intenso ravinamento da arriba -, mas ao mesmo tempo permite-lhe formas e feitios de um desenho sonhado.

A falésia impõe-se na paisagem. A vista de cima permite alcançar as diversas dimensões do espaço e do tempo. Ali tudo para. Só ao fundo existe o horizonte. De baixo, o olhar é abrigado por trilhos indizíveis e o odor da natureza manifesta-se de forma agreste.

O olhar sobre esta paisagem permite a reconciliação entre sujeito-natureza.

Olhar "nu|integral" retrata esses sentimentos em pedaços fragmentados como são as fotografias, numa reconstrução do todo.

Conhecer esta paisagem é um exercício para o observador, exigindo da sua parte uma entrega, um sentimento de afetividade, um estado de espírito.

É a praia da Galé, no concelho de Grândola, em todo o seu esplendor.
Chegada. Reconheço as nuances. O preto, o branco/ o bem, o mal/ o mar, a terra. A paisagem reconhece-me. Reencontro.Faz-se o caminho de volta ao mar. Diferente. A luz não me devolve ao mar, revela-me uma terra. É um caminho que ainda não percorri. Atração pelo desconhecido. Vou.Não estou sozinho. Pelo caminho sinto-me observado. Presença do outro desconhecido.Não estou sozinho. A presença do outro é física, mensurável, insuportável. Sou julgado, avaliado.É um rito de passagem. Sou eu outra vez, desnudo. Com o outroO outro. Sedutor. Sou atraído para uma luz desconhecida, mas bela e irresistível.Sou eu e o outro, numa comunhão completa, perfeita. Reconheço-me na sua beleza e reencontro-me na sua perfeição.Desejo. Sofreguidão. Plena satisfação. A luz , agora, é feita para nós e existe em nós.Eu sou mais eu. Eu sou o outro, uma comunhão plena com a natureza , que é minha como nunca foi.Eu sou todos nós. A natureza tomou-me como seu.E renasceu. Fecunda.Caminho de regresso. Conheço-me como nunca. Conheço o caminho de volta e conforta-me voltar.À minha volta tudo tem outro sentido. O gosto.A vista. O branco é mais pleno.A luz é sabedoria. Incomensurável.De volta. Já não sou só eu. Sou eu com o conhecimento do outro. Sou eu comunhão comigo, com o outro, com o que me rodeiaDespedida. Reconheço que as nuances estão em nós: o preto, o branco; o mar, a terra. A paisagem acompanha-me. Até sempre.